[PRÉ-COP30]Conservação Internacional defende soluções de infraestrutura verde-cinza para adaptação costeira durante a Pré-COP30 em Brasília

outubro 14, 2025

Evento destacou a importância de integrar ciência, políticas públicas e Soluções Baseadas na Natureza para fortalecer a resiliência climática das cidades costeiras brasileiras. 

Brasília (DF), 14 de outubro de 2025 — A Conservação Internacional (CI-Brasil) participou nesta terça-feira (14) do seminário “Resiliência Climática e Redução de Riscos em Cidades Costeiras”, realizado pelo Ministério das Cidades em parceria com o Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNDRR). O evento integrou a programação oficial da Pré-COP30, que antecede a Conferência do Clima das Nações Unidas (COP30), marcada para novembro, em Belém (PA).  

O encontro reuniu representantes de ministérios, agências internacionais, governos locais, setor privado e especialistas para discutir os impactos da elevação do nível do mar e caminhos para fortalecer a adaptação climática e a resiliência urbana nas cidades costeiras brasileiras.  

Durante o evento, a Conservação Internacional apresentou a proposta de infraestruturas verde-cinza como solução integrada de adaptação climática, proteção costeira e provisão de serviços ecossistêmicos. A abordagem combina engenharia tradicional (“cinza”) com Soluções Baseadas na Natureza (“verde”), promovendo benefícios múltiplos: proteção da linha de costa contra erosão e avanço do mar, regulação térmica, melhoria da qualidade da água e criação de espaços urbanos verdes e turísticos.  

Segundo Renan Alves, Gerente de Carbono Azul da CI-Brasil, as infraestruturas verde e cinza são um exemplo concreto de como unir ciência, política pública e desenvolvimento local. “A elevação do nível do mar é um fenômeno de início lento, mas de grande impacto. As soluções verde-cinza representam uma forma de planejar o futuro com inteligência climática, combinando tecnologia e natureza para proteger pessoas, cidades e ecossistemas. Essa integração é essencial para tornar nossas cidades costeiras mais resilientes e sustentáveis”, afirmou.  

O ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, destacou que o governo federal tem buscado fortalecer políticas voltadas à adaptação, como o Novo PAC - Eixo Cidades Resilientes, o Programa Cidades Verdes e Resilientes. “Temos instrumentos importantes em andamento, mas ainda precisamos avançar no reconhecimento das chamadas ‘cidades oceânicas’, aquelas localizadas em até 150 quilômetros da costa”, disse o ministro.  

O secretário-executivo substituto do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), Tito Lívio, reforçou a importância de decisões baseadas em evidências científicas e na integração entre setores. De acordo com ele, dispomos de tecnologias e modelos eficazes, mas precisamos de maior incentivo político e técnico para colocá-los em prática. “Decisões baseadas em evidências científicas são fundamentais para garantir a efetividade e a escalabilidade das soluções”, destacou.  

A enviada especial do Oceano da Presidência da COP30, Marinez Scherer, também destacou a dimensão do desafio. Segundo ela, “cada 10 centímetros de elevação do nível do mar representam cerca de 10 metros de perda de território”, o que coloca quase 2 mil municípios brasileiros em situação de vulnerabilidade direta ou indireta aos efeitos da elevação do nível do mar.  

IMPACTO CI-BRASIL 

A Conservação Internacional (CI-Brasil) tem atuado para ampliar o conhecimento científico e a gestão territorial voltados à resiliência costeira da Amazônia. Em recente iniciativa de mapeamento participativo, realizado em parceria com a Caterpillar Foundation e ICONIQ, foram identificados 36 pontos de impacto aos manguezais e comunidades locais causados por desmatamento, erosão e obras de infraestrutura ao longo da costa do Pará e do Amapá. 

Desse total, 32 pontos estão localizados no Pará e 4 no Amapá, além de 3 áreas adicionais com projeções de construção de novas infraestruturas na região. O mapeamento também apontou que 63,89% das atividades registradas apresentam alto potencial de impacto, reforçando a urgência de incorporar Soluções Baseadas na Natureza (SBNs) e planejamento costeiro integrado nas políticas públicas. 

O mapeamento demonstra, na prática, a importância de integrar ciência, governança e comunidades locais na construção de uma infraestrutura costeira resiliente, capaz de proteger tanto as pessoas quanto os ecossistemas que sustentam a vida. 

 

 

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